Gabriel Rezende Mota

(quando cursava a 6ª Série)

 

Canção do Brasil

 

Minha terra tem Palmeiras

Corinthians e São Caetano

Brasil — país do futebol

é por isso que eu te amo!

 

Na TV, boas estrelas

muitas florestas, matas e flores

Nas estradas várias batidas

Brasil — de raças e cores.

 

Minha terra tem violência

e segurança não há

Ladrão matando polícia

e outros matando para se vingar.

 

Fauna e flora brasileira:

micos-leões, macacos e beija-flores.

Tudo está se acabando

por causa dos devastadores.

 

Minha terra brasileira,

tem ótimos escritores.

Minha terra tem cantores

do rock ao arrasta-pé

 

Há também músicas religiosas

que falam sobre a fé

Vou voltar para o Brasil

Não morarei na Nova Guiné!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Galadriel'ves Dias

 

Canção do Exílio

 

Minha terra tinha Árvores,

Onde cantava o sabiá;

As aves que aqui gorjeiam

Não gorjeiam como as de lá.

 

Nosso céu não tinha estrelas,

Mas tínhamos Silmaril,

Até que Fëanor, com sua ira,

Nos mandou p'ra ... que pariu.

 

Em cismar sozinha, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tinha Árvores,

Que também não brilham mais lá.

 

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em vez de doce hidromel

Só cuido de velho gagá;

Minha terra tinha Árvores,

Onde cantavam os Valar.

 

Não permita Eru que eu morra,

E que não volte para lá;

Que atravesse os mares

E Silmarils não leve de cá ;

Sem qu'inda aviste Mandos gritando

E os sabiás em Valmar cantando.

 

 

 

 

 

 

 

George Carvalho

 

Minha Canção do Exílio

 

Sei que na minha terra tem palmeiras,

tem colibri, curió, tem sabiá,

babaçu, cocô d'água, carnaúba,

Como dizia um poeta de lá.

 

Apesar de minha terra ser tão bela,

com rico folclore, natureza e sabiá,

seus filhos partem tão tristes,

em busca de oportunidades além-mar.

 

Eu também tive que migrar p'outras bandas,

outros pastos buscar.

Se eu quisesse ser alguém,

se quisesse ter um nome, ter um lar.

 

O que me salvou neste exílio,

longe de minha terra, do meu sabiá,

foi o amor de minha amada, mãe do meu filho,

que amenizou o meu chorar.

 

Hoje já suporto a dor da saudade,

de tudo que deixei por lá:

irmãos, parentes, amigos,

palmeiras, colibri, e o cantar do sabiá.

 

Mas sei, que um dia volto sim,

pros seios de minha terra que ficou pra lá:

São Luiz, Ilha do Amor, do Maranhão,

que nesse mundo, outro lugar igual não há.

 

 

 

 

 

 

Gilberlandio

 

*

 

Minha terra tem estrelas

Minha terra tem luar

O céu que aqui é cinza

É azul celeste lá

 

Minha terra tem encantos

Minha terra tem essência

Minha terra IBITIÁ.

 

 

 

 

 

 

Gilberto Mendonça Teles

 

Sabiá

 

Quem foi, hem Totó?
Quem mexeu cocê, hem Totó?
Que foi, hem Totó?
Quem mexeu com ocê, hem Totó?

 

 

 

 

 

 

G7 + Henrique

(Produção coletiva)

 

 

1.

 

Minha terra tem palmeiras,

Belchior não entra lá,

Porque prefere Figueiras,

Castanheiras-do-Pará.

Duas grandes mamadeiras

Da vaquinha vou ganhar.

Ai que dor no calcanhar

De tanto pisar nas beiras.

 

Vacas-leiteiras, uni-vos!

Não virem abacaxis!

Mantenham os chifres altivos.

Façam vídeos em cromakey.

Eu quero beijos lascivos,

Mas não de um lambari

Que engole todo o meu "pííííí",

Sem nem me dar o recibo.

 

Lambaris nadam de dia,

Para à noite descansar.

Com eles não tem rebeldia,

Desordem também não há.

Não gostam da companhia

Dos peixes do seu lugar,

Mas adoram todo o mar.

Eu adoro-os em fatias.

 

 

2.

 

Minha terra tem palmeiras,

Dignas de cartão postal.

Preto e branco, como queiras.

Feio mesmo é o Amaral.

Ex-coveiro e uma loira

Que pegou lá no luau,

Pois comeu um pão sem sal,

Coisa sem eira nem beira.

 

Eta festança estupenda!

Estridentes cornetinhas.

Todo mundo lá na tenda,

Sem feijão e sem farinha,

Sem ninguém que me compreenda.

Farofada de galinha,

Sem gelo na caipirinha

E menininhas de renda.

 

 

3.

 

Minha terra tem palmeiras,

Mas ele foi rebaixado.

Assim, perdeu suas chuteiras,

Penduradas nos chifres dum viado,

Que rolou da ribanceira

E ficou todo esborrachado.

E a esposa pega no machado,

Pra fazer os chifres de madeira.

 

"Machadão! Machadão", gritou ela,

"Gosto de iogurte com chocolate!".

O Machadão fechou a janela

E pediu pra esposa: "Me bate!".

Disse-me ele: "Não bato na cadela!",

Mas partiu-se pro abate,

Antes mesmo do debate,

Já pondo a mão na manivela.

 

Iogurte de abacate com jiló

É o prato servido no submarino amarelo.

Odeio Freud, Freud cheirava pó

E admirava chá de cogumelo.

Subia na mesa e cantava o "pocotó",

Apesar de sua avó adorar polichinelo,

Que é um exercício "mui" belo,

Ela continuava que era banha só.

 

Se Michels pegava no trabuco,

Ele deixava pegarem, era democrático,

Até mesmo com o maluco.

E é o fim do poema estático.

 

 

4.

 

Minha terra tem palmeiras,

Que se dane o tal progresso,

Que elas mexam as cadeiras.

Vai dar a bunda pra fazer sucesso

Ou lamber umas torneiras.

Talvez sentar em bananeiras

Que ficam ao lado do posto Esso,

Onde eu vou, mas não regresso.

 

Oxalá, meu Deus, se um dia

A cognição falar de cogumelos,

Baseada na empiria,

Sair correndo só de chinelo,

Gritando "F&E é só minha!".

Epistemologicamente linda!

Eu tropico e me estatelo.

"A saudade é um prego, coração é um martelo!"

 

Jesus pregado fazia rimas, nada muito legal.

Até rimava "aberto" com "Geraldo",

Era só um monte de coisa banal.

Buda até pensava que era coisa do Arnaldo

E virou uma estátua de sal.

 

 

5.

 

Minha terra tem palmeiras,

Pacas, tatus e cotias,

Os duendes com olheiras,

Lavando as caras nas pias,

Limpando as joelheiras

Pra entrar na casa da tia.

A calça não mais cabia,

Nem no pescoço as coleiras.

 

Pacas e pacos correndo

Para ver a promoção.

Mas, ao verem um monstro horrendo,

Fugiram pra São Fernão.

Continuaram lá correndo,

Tropeçaram no sabão

Segura no corrimão!

Vem quente que eu tô fervendo.

 

Ao chegarem a Moscou,

Compraram três coca-colas

E joguinhos marca Grow,

Todos os jogos com bolas.

Na peteca eu dei um show.

 

 

6.

 

Minha terra tem palmeiras,

Mas elas não têm opinião mobilizada.

As velhinhas vão às feiras.

Meus pés cheiram a chulé.

The book is on the table,

Só não sabe quem não quer.

Chulé não é nada, ruim mesmo é frieira.

 

Na minha terra tudo dá,

Rolam orgias todos os dias.

Mas cada um com suas Marias,

E o professor comendo frases.

Em cada frase uma agonia,

E todos fogem em suas naves,

Pra não estudar filosofia.

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que do Milman eu me vingue.

Se eu o vir, é bom que ele corra,

Porque o cacetete já tá na mão.

Vou dar porrada com o "Representação".

 

 

7.

 

Minha terra tem palmeiras,

Onde eu penduro a minha rede.

Mas minhas redes são fuleiras,

Por isso eu uso capacete

Com o distintivo do Palmeiras.

No pára-brisa do Kadett,

Eu descanso calmamente

Pensando em baboseiras.

 

O capacete protege-nos de tiros de AK-47,

Mas as ondas ultrapassam as cabeças,

Por isso eu uso cotonete,

Mesmo que a cera no ouvido permaneça.

Quando ouço rádio no meu Chevette,

Torço pra que uma virgem me aqueça

E pra que nada no meu corpo desça,

Afinal, o nome dela é Elizabete.

 

 

8.

 

Não permita Deus que eu morra,

Quero viver 10.000 anos.

Morar uns mil em Andorra,

Tocar música c'os peruanos.

Fazer que a mim a Lola corra,

Para que juntos fiquemos insanos.

Deus! Não quero entrar pelo cano!

Se eu me ferrar, por favor, me socorra!

 

— Deus! O que rima com tarugo?

— Ó meu filho, lá sei eu!

— Mas, se não souber, pergunte ao Hugo.

— Não dá, o desgraçado desapareceu...

— Mas o Senhor não pode tudo e sabe tudo?

— Na verdade, eu sei, mas não respondo pra ateu!

— Então fala com meu hamster, chamo ele de Tadeu.

— Ele tá aqui comigo, tu foi correr e ele morreu jogando ludo.

 

— Oh, não! Como permitiste isso?

"Tadeu querido", na lápide colocarei.

Uma alma tão boa, honesta e sem vícios!

Era caridoso e respeitava a lei.

— Tu que não sabes! Tadeu era um estrupício!

Além de burro, era gay!

Saía com os amigos pra fazer coisas que só Eu sei...

 

 

 

G7 + Henrique
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G7 + Henrique História e Glória

 

 

 

 

 

 

Guilherme de Almeida

 

Canção do Expedicionário

 

I

Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais.
 
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Do pampa, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios,
De minha terra natal.
 
Estribilho
 
Por mais terra que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
 
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil!
 
Estribilho
 
Por mais terra que eu percorra... etc.


 
II
 
Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão.
 
Braços mornos de Moema,
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim!
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!
 
Estribilho
 
Por mais terra que eu percorra... etc.


 
III
 
Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que eu tenho
No bojo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
 
Deixei lá atrás meu terreiro,
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacarandá,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina
Onde canta o sabiá.
 
Estribilho
 
Por mais terra que eu percorra... etc.


 
IV
 
Venho de além desse monte
Que ainda azula no horizonte,
Onde o nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudade já morreu.
 
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham, deslumbradas,
Fazendo o Sinal da Cruz!
 
Estribilho
 
Por mais terra que eu percorra... etc.

 

(Rapsódia que cantaram os soldados brasileiros nos campos de batalha da Europa).

 

 

 

 

 

 

Gustavo Dourado

 

Sábia Sabiá

 

Sabiá sábia...
Sabe como ninguém
Encantar o canto...

 

Sabiá sábia
Canta nas palmeiras
Encanto à brasileira...

 

Ave do saber
Cantarola poesia
Sabiave do ser

 

Sabiarte do canto
Dádiva da natura
En'canta com ternura...

 

 

 

 

 

 

Gustavo Ganso

 

Minha Terra Não Tem Mais Palmeiras

 

Minha terra

não tem mais palmeiras

mas campos de soja

 

não mais habitam

minha terra

agora lá apenas fantoches

de ouro ou de papel

mas fantoches

 

Não permita Deus que eu morra,

sem que eu volte para lá

Impossível!

desde o começo nunca existiu

Minha terra

 

Minha terra

não tem mais palmeiras,

nem sabiá

mas tem um eletrônico da China bonito — e barato —

que é quase o mesmo que o original

 

 

 

 

 

 

Guta Gatuna

 

Gonçalves Dias Revisited

 

Minha terra tem palmeiras

Onde twittam os sabiás

As aves que aqui twittam

Não twittam como as de lá.

 

 

 

 

 

 

Hadarah

 

*

 

Minha terra tem encantos diferentes

das que a sua tem.

Tem palmeira

Bela natureza que tem aí.

Minha terra tem sabiás e a alegre juriti.

Nela os cantos são diversos

Cabe o meu e seu universo.

Minha terra é pequena para os seus

É recanto escondido de Deus.

 

E o céu da minha terra?

Tem dias ensolarados

Recantos emoldurados

Que anjos esculpiu.

Minha terra tem mil cores

Mil amores

Mil clarins.

É nela que moro

Nela estão meus afins.

 

 

 

 

 

 

Héber Bensi

 

São Paulo

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá.

Sem que eu volte para São Paulo

E lá um dia eu volte a cantar!

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá...

Tudo aqui é ruim

Tristeza e tédio do começo ao fim!

 

Para São Paulo pretendo um dia voltar

Meu grande amor quem sabe lá encontrar

Verei a violência enfim se acabar

E verei a esperança enfim, voltar!

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá.

Sem que eu volte para São Paulo

E para lá volte a morar!

 

São Paulo é a capital do Brasil

Da música e da cultura

É muito triste longe de lá viver

Longe de São Paulo talvez seja melhor morrer.

 

Eu não quero ser Bob Dylan

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Sem que eu volte para São Paulo

E lá um dia eu volte a cantar!

 

 

 

 

 

 

Hênio dos Santos

 

Canção Do Novo Exílio

 

Minha terra, cadê as palmeiras?

Onde está o canto do sabiá?

As aves que cá gorjeiam,

gorjeiam os cantos que vêm de lá!

 

No céu tantos "estralos",

as queimadas acabando com várzeas e flores

nossos bosques têm falta de vida

nossa vida tem temores.

 

Em cismar, sozinho, à noite,

cismo a noite, um dia, poder gozar,

Minha terra pouco avistam-se as palmeiras,

o sabiá teima suicidar.

 

Em minha terra clamam primores,

a bunda é a nova banda a se apresentar.

Em cismar, — sozinho, à noite —

cismo a noite, um dia, poder gozar,

Em minha terra restam palmeiras!

O sabiá me parece calar.

 

Permita Deus, que eu não morra, porém,

não deixe a saúde pública me pegar;

quero ainda ver primores,

que estão escondidos por cá

A palmeira acabou,

o sabiá fugirá...