1965
rabisquei
poemas
e insultos
nos muros
quem dera

meus olhos
de menino

tão verdes
tão puros

nas mãos
fechadas

butiás maduros

aos predadores
.................da utopia

dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres

 

ploft

escrever poesia
algumas vezes
é como jogar
pedra em açude

as ondas se formam
e a gente conclui
que aquilo não é
poesia

é física

erótica


tua retórica
um antro
de palavras

tua linguagem
antropofagia
louca

tua vagina
algema casual
da minha boca

chuva


os encantos da água
versejam na calçada
e correm sem ruídos
      pela sarjeta

      lá vai
      meu poema
      mais novo

candura


preciso morrer
de morte natural
pra que ninguém
possa supor
      de que bem
é feito o meu mal
o galo


o silêncio
com suas equações
............de estrelas
.......abre os portais
.......da madrugada

sob os olhos atentos
............do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
.......ao galo
Lau Siqueira (Jaguarão/RS). Poeta, publicou O comício das veias (João Pessoa: Editora Idéia, 1993), O guardador de sorrisos (João Pessoa: Editora Trema, 1998), Sem meias palavras (João Pessoa: Editora Idéia, 2002), Texto sentido (Recife: Editora Bagaço, 2007) e Aos predadores da utopia (São Paulo: Dulcinéia Catadora, 2007). Consta de algumas antologias, como Na virada do século — poesia de invenção no Brasil, organizada por Claudio Daniel e Frederico Barbosa (São Paulo: Editora Landy, 2002). Participa das coletâneas anuais do Livro da Tribo (São Paulo: Editora da Tribo). Vive em João Pessoa. É autor do blogue Poesia Sim.
 
Mais Lau Siqueira em Germina