lua

 

crê,

sente,

a cheia virá.

 

 

 

 

 

 

partida

 

o espelho partido

multiplicou

o adeus

 

 

 

 

 

 

não

 

me leve a mal

preciso de uma dose

que seja letal

 

 

 

 

 

 

meticulosa

 

após a separação,

conferiu tudo no espelho:

faltou coração, sobrou cotovelo.

 

 

 

 

 

 

com delicadeza

 

suicidou-se

em legítima

defesa

 

 

 

 

 

 

concreto

 

 

seu

afeto

armado

 

 

 

 

 

 

sugar free

 

low fat, diet chiclete

no salt, be slim

morreu aos dezessete

 

 

 

 

 

 

autorretrato

 

ah, tantas releituras

que perdi

o original

 

 

 

 

 

 

gotas de sabedoria

 

tudo passa

como tanque

na praça da paz

 

 

 

 

 

 

perspectivas

 

passar os anos

feito subir montanha:

tudo fica tão pequeno...

 

 

 

 

 

 

devolva-me

 

 

 

as

 

      as

           

            as

 

 

 

 

 

 

é verão

 

 

faz frio.

esse vazio

não reconhece estação

 

 

 

 

 

 

do oitavo andar

 

 

em queda livre,

decide:

nunca mais, nunca mais.

 

 

 

 

 

 

nem toda mulher

 

mas todos que batem

gostam

de sofismar

 

 

 

 

 

 

amputado

 

por que ainda dói

esse amor

que já não sinto?

 

 

 

 

 

 

pequeninas

 

porque há

o orvalho

a neblina

a garoa

na piscina

gota

d'água

cristalina

— essas coisas

pequeninas

 

porque

os cílios

e da íris

a menina

uma linha

do mamilo

— sentir

coisas

mínimas

 

pois o marco

no origami

dobra

o barco

de papel

que

flutua

orgulhoso

e faz

o pouso

— no olhar

 

e o tempo

para

 

tão devagar

 

poucas tintas

aquarela

anilina

na poesia

— dançarina

 

posso ser

-te

purpurina

 

heroína

heroína

 

 

 

 

 

Sônia Godoy: Sou uma psicóloga que não respeita limites e que, quase sem vergonha, se aventura em todos os campos do trabalho e das artes. Escrever é paixão pela palavra, pelo texto que organiza desorganizadamente o interior inquieto e rebelde. Resisto a me espalhar pela internet e não sei explicar o motivo. Mas aqui estou, orgulhosa. [São Paulo, 16/09/1948 | 31/03/2011]