

| absinto
Abduzo
absorvo
me abstraio |
|
Adaga cravada
no peito
o sofrimento, grotescamente,
cavalga à deriva
combatendo, tolamente,
antigos moinhos de vento
Este meu Eros
caótico
às
vezes tão pacato
em certos
dias
traveste-se
de feroz
Thanatos
Escrevo cartas
que não mando,
mensagens
que não envio
ai, meu
Deus, mas que fastio
dessa falsa
apatia
tropeçar
nas mesmas pedras
trilhar
os mesmos desvios
com tanta
vida pulsante
me negar
e procurar
o tédio
das calmarias...
Logo eu
que desvario
lato, uivo
e enlouqueço
nas noites
de lua cheia
eu, que
sempre me arrepio
muito mais
do que me aquieto
preciso
arrancar as teias
daquela
antiga guerreira
que habita
dentro de mim.
Viver é urgente!
Jogar xadrez
beber na
chávena
o chá
da Índia
feito burguês
Fumar charutos
Jogar xadrez
comer rainhas
com avidez
E antever
e maquinar
a estratégia
Abstrair
e descartar
qualquer
tragédia
Ser rei total
e absoluto
mas só
ganhar
na superfície
do tabuleiro
Ser jogador
e leviano
ser incapaz
de mergulhar.
Amar ligeiro
é
não amar...

Certos dias
embora eu me desfaça em pranto,
amanhece,
e os pássaros
insistem em cantar
embora
queira, insanamente, desaparecer,
a luz do
sol insiste em penetrar
pela fresta
do olho.
Então
acordo, tomo um café,
acendo
um cigarro
e sorrio...
A arte de poder
chorar
a arte
de poder sorrir
acho que
as perdi
Mas ainda me
resta
a arte
de
poder dormir...