inventário
tirante essas figuras que se sustentam com falso vigor nas fotografias,
a morte já passou por todos, já aconteceu. e o que poderá ainda nos
ocorrer, além de seu reflexo; ela que, agora, só pode ser
imitada?
sono com motivo materno
e sem garantir em que instante me acontece a vida, envolve-me uma
atmosfera residual de todos os domicílios: estou de uma só vez onde
existo e onde me imagino; só falto onde me percebo. se abrir os olhos,
adormeço.
casa dos adivinhos
sempre que avistavam a casa, o pai cobrava: anda mais naquele antro de
augúrio. que um dia estarás só, com as mãos vazias e diante de um
monarca indócil que te obrigará a ler suas insônias, interpretar
eclipses e recensear o número de lêndeas de seu impoluto
reino.
camisa qual
e aquele um equatoriano
camisa algo que levou
o drible memorável aquele
o pano de fundo de
chão para a ubérrima estridência
nacional
o tempo todo colado
à craca do gênio da camisa tal
paisano qual mesmo? sem doçura
toco autóctone de que
ninguém fala senão
o achincalhe galvânico
"pra cima dele, Kaká"
"esse não sabe nada"
quem fala nele o apagado
camisa 2 ou 3 — levou
fumo no drible e
desce ao tumulotúnel
mastigando vaia
o quem mesmo? da escalação
o zagueiro número de cobre às costas sem
classe = 2 desses não vale 1 nosso
com quem o craque
exaltável ao máximo não
troca a camisa
nem a pele