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desfacelo a fumaça do incenso
no neon de Robert Klimt
soprado no silêncio ikebana sanguetsu
pernas nas madrugadas meditantes
o poema grita begônias vitrais
tua clareza clarividência plástica
teu pincel fruta cor femininus
o poema grita lírios rufantes
galopa galopa galopa
você acende cartas na mão esquerda
Mata Hari mata sem pena
quando Basquiat sorri de um sol
que pinta na contramão
LEMINSKIKATI
cataram tudo
além do sono
me deixaram o sonho.
um tio sensei
me olhou das nuvens
e uma espada cortou
um verso japonês.
Kobayashi disse rindo:
o sol parece Bashô.
Fiquei translúcido
Pedi uma cerveja
e catei um leminski
num haicai silencioso
que beliscou minha alma.
ÍNFIMO DEVANEIO MATRIX
Nuvens Rimbaudianas explodem
cogumelos no mundo Matrix.
Favos de guitarra de Neil Young
curam com o mel do melhor a poluição audível.
Explosão de corações desvairados.
Um abraço camisa de força,
Um beijo grudado,
Um dado jogado,
A pílula da realidade,
A pílula do virtual.
O agora futuro que nos engole é o
ano que passa em dois segundos.
O cisco sentado no banco da praça
insiste em ser o poema que permanecerá por séculos.
***
palavra detonadora de luas gosmentas
gozo de William Blake
encharcado no céu.
nuvens de Pollock
destruindo passagem das estrelas
reflexo da intuição no solo de Hendrix
som das nuvens
quebradas nas ondas surfadas
na desconfiança de Rousseau.
nuvens galopantes
timbres de nacos de matrix
"my way is Rock and Roll every day"
nuvens metamorfoseiam
change your mind
Neil Young me diz a real
nuvens trepam no céu
um prazer etéreo
num sexo desfarelante
nuvens sorriem
num blues que diz bom dia
na melodia de Keb' Mo'
[haicais do livro inédito Yume — "sonho" em japonês]
(imagens ©jean-michel basquiat)