Doença
Cuidei
sempre dos pés,
que
correram atrás de sonhos
[e não foram poucos]
Não
percebi instalar-se a úlcera
de
tanto engolir tristezas
[as minhas e as dos outros]
Cacos
de vida
Passa
a caravana
(dizem)
ladram
os cães
geme
o carro
reclamam
os bois
esfregão
do mundo
(eu)
junto
cacos da vida
fazendo
poema
que
nunca foi
Amor
em cinzas
Ontem,
queimaram-se
na
fogueira
que
fiz:
as
cartas
as
fotos
e
o almofariz
onde
toda noite
eu
macerava,
com
calma,
nosso
amor em grãos...
hoje,
tenho
cinzas
no peito
e
fumaça n'alma.
Ferrugem
Tempestade!
Acordei
no meio da noite
pensando
ouvir sons de gargalhadas.
Fantasmas?
Qual
o quê!
Era
a roda da fortuna
com
a engrenagem enferrujada.
Solidão
de Poeta
Em
noite alta se aproxima manso
adentra
o peito num suspiro
apunhala
o ventre
chega
aos olhos e não transborda
torna
à alma
afoga
a voz
e
explode pelos dedos.
Poema
Fugitivo
Existe
um poema vagando por aí
repleto
de palavras
algumas
claras,
outras
belas
insanas
profanas
adúlteras
truncadas
mortíferas
abaladas
inseguras
Existia...
Era
um poema, vagando por aí
Incompleto
abaladiço
promíscuo
insensato
quizumbento
ciumento
Era
um poema rutundo, gordo
adiposo,
cheio de bazófia
E...
explodiu
Agora,
chovem palavras por aí
Como
eu sei?
Ah! Esse maldito
poema fugiu de dentro de mim
(imagens
©thomas northcut / photodisc)