Não quero mais aguardá-lo
Guardá-lo com honras de único rei
Não
vou mais dizer loas
Mandar notas
Não quero fazê-lo verso
Este é o último
E o primeiro.
Príncipe Imaginário,
não quero vivê-lo
desvão
desvão esconso
tonto
cérebro torto
corpo oco
seu rosto flagrado
no topo
no cume mais morto
do meu próprio
torso
em fogo
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Lá
fora um vento frio e um tiroteio. dum dum dum dum. Quatro
pipocos no muro. As cápsulas ficaram no chão. Alguém
gritou um palavrão e o carro cantou pneus. Pirelli. Uma risca
preta no asfalto velho do ex-bairro de operários.
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Ana Elisa Ribeiro (Belo Horizonte-MG, agosto de 1975). Poeta, graduou-se em Letras/Português e fez mestrado em Lingüística. Atua como professora nas universidades Federal e Católica de Minas Gerais. É escritora, editora, revisora e preparadora de texto em grandes editoras mineiras. Publicou Poesinha (Poesia Orbital, 1997) e Perversa (Ciência do Acidente, 2002). Escreve o blogue Estante de Livros Online, colabora com a agência de notícias Carta Maior e é colunista do Digestivo Cultural.
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