Kim

 

Minha Terra

 

A minha terra tem as águas mais claras,

O meu lugar é um oceano de sonhos,

O meu país é verde, amarelo, branco e azul da cor dos céus

A minha terra é saudável, é fértil

O meu lugar tem o povo mais bonito,

O meu país é branco, negro e amarelo... é o brasil

 

500 anos e você é tão jovem

Tuas paisagens, tua história, teu ninho...

500 anos e a gente pede a Deus pra te abençoar.

500 anos, hora da igualdade, com mais trabalho, mais justiça e

verdade

500 anos e você está de pé

É só o começo

Segue com fé.

 

A minha terra...

 

 

 

 

 

 

Lady Foppa

 

Minha Terra Tem Ipês

 

Minha terra tem paineiras, pequis, pitangas e ingá!

Tem tanta coisa gostosa, pra gente saborear.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra é terra boa, pra colher e pra plantar!

Roça cheia de fartura, que dá gosto de se olhar.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra tem cerrado, tem flor de se admirar!

Tem rios, tem cachoeiras, onde Deus vem se banhar.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra tem encantos, que em outras terras não há!

Tem gente boa sem tanto, isso eu posso afirmar.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra tem viola e tem violeiro pra tocar!

Tem cavalhada, catira e bailão pra se dançar.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra tem romeiros, tem devotos pra rezar!

Tem o Divino Pai Eterno para nos abençoar.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra tem donzelas, pra noivar e pra casar!

Tem a Casa Velha da Ponte e Cora qu'inda vive por lá.

Minha terra tem ipês, onde canta o sabiá...

 

Minha terra é o meu Goiás, Goiânia pra precisar!

Tem o prefeito Íris Resende zelando por tudo que há.

Minha terra tem ipês onde canta o sabiá...

 

Que Deus me permita um dia a esta terra misturar!

Levarei o último sonho, pra Ele realizar.

Que eu renasça como ipê, onde canta o sabiá...

 

 

 

 

 

 

Laélio Ferreira de Melo

 

Canção do Exílio Araqueado

(Imitação burlesca)

 

Minha terra tem besteiras,

Quantas asneiras tem lá;

Bloomsdays e Exuperys

À sombra de um baobá.

Nosso céu tem mais fumaça

Do que no Beco da Lama,

Nossos vates mais produzem

Quando encostam um chara à chama.

 

Cismando, sozinho, à noite,

Se mais grana encontro eu lá;

Minha terra tem jornais

Onde se arranja o jabá!

Minha terra tem horrores,

Que tais não os vejo por cá;

Em pensar — noite e mais noite —

No que vou fazer por lá;

Minha terra tem besteiras:

Me agarro ao baobá!

Não permita Alá que eu corra

Dos imbecis que tem lá;

Sem que malhe os capadócios

Que não encontro eu por cá:

Bloomsdays e Exupérys

Arrenego, quá-quá-quá...!

 

 

 

 

 

 

Lausimar Laus Gomes

 

Soneto

 

Na primavera, oh! sabiá airoso,

És sorriso nos lábios da palmeira,

Tens dentro de tua alma cantadeira

Uma ópera tão linda, que é teu gozo.

 

Cantas de tarde, sabiá airoso,

E eu quero ouvir-te a minha vida inteira

Mas, pena que és como a lusão, financeira,

Que canta só do alto do seu pouso.

 

Tens medo que eu te conte a minha vida

Que é como um sonho de árvore esquecida,

Que anda nas trevas, procurando luz...

 

Quando eu morrer, oh! sabiá famoso,

Que tu, sempre a cantar, bardo ditoso,

Venhas cantar também na minha cruz...

 

 

 

 

 

 

 

líria porto

 

expropriados

 

minha terra tem pobreza

tem soldado na favela

tem menino na lixeira

tem esgoto a céu aberto

 

minha terra tem grileiro

tem piolho gente astuta

tem varejeira tem verme

explorador de viúva

 

minha terra tem cadeia

para preto pobre puta

para rico tem dinheiro

tem mansão vantagem

tudo

 

minha terra?

 

 

 

onde cantam os bem-te-vis

 

esta terra tem um cheiro
beiro a serra sinto um bem
um ardor me atravessa
um prazer um arrepio
um desalojar das penas
um desejo singular
de morrer neste lugar
e de aqui renascer

 

 

  

Líria Porto

Na Germina

Poemas

 

 

 

 

 

 

 

Lourdes Bernadete C. Bispo

 

Minha Terra

 

"Minha Terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá"

Aqui tudo se planta

Aqui tudo se dá

No entanto, tem tanta gente

Que vive fome a passar.

 

São tantos que habitam barracos

E tantos morando em mansão

Há tantos com mesa farta

E tantos mendigando pão

Há tantos com tanta terra!

E tantos sem um pedaço de chão.

 

Minha terra não tem saúde

Escola nem instrução

e os pobres professores

quase morrem de inanição

 

Minha terra tem criança de rua

maior carente e menor abandonado

Minha terra não liga pros velhos

muito menos pro aposentado.

 

Minha terra tem queimadas

A Mata Atlântica fenece!

"E em teu formoso céu risonho

a imagem do cruzeiro resplandece"

 

O meu País se afoga

num poço de cretinice

e os governantes advogam

a insensatez e a burrice

 

Por favor! Senhores Governantes!

Dêem um jeito sem demora

O meu País quer Saúde

EDUCAÇÃO E ESCOLA.

Ou então, peguem suas malas

renunciem — e vão embora.

 

Pois, meu País tem um povo

"Que é forte, impávido, colosso"

Tem gente bonita e alegre

Criança — velho e moço

 

Eta, Povo Corajoso!

Eta, povo mais que forte!

E em "teu seio, OH! LIBERDADE

DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE".

 

Minha terra tem palmeiras

E tem encantos mil

Assim é a minha terra

Assim, é o meu Brasil.

 

 

 

 

 

 

lou vilela

 

indulto

 

Ao mergulhar profundidade oceano
O corpo atordoa.

 

[Minha terra tem coqueiros
E aves de ruma;
Farinha, cuscuz, munguzá;
Folclore, credos, patuás.]

 

Quando necessário implodo, recomeço.
Visto incansavelmente as peles que me tocam:
Sou uno, sou todos, zé-ninguém
— Sou Poeta!

 

Ademais, afino-me pelo diapasão dos pássaros.

 

[Não permita Deus que eu morra,
Sem gorjear.]

 

 

 

Lou Vilela

Na Germina

Poemas

 

 

 

 

 

 

Lucas Carrasco

 

Chega de saudade

 

sabiá lá da terra tra-la-lá

Bim-bom telecoteco ho-ba-la-lá

 

canta um pouco mais baixo, sabiá

João diz que até os canários desafinam

"e o Tom mandou dizer que não está"

 

 

Lucas Carrasco
Na
Germina
>
Poemas

 

 

 

 

 

 

Luci Collin

 

Poema Sintônico

 

minha terra tem heitores

minha terra tem gado de corte

 

tem poema concreto

tem poema sujo

 

tem exílio

tem calvário

minha terra tem palmérios

 

minha terra tem preto no branco

minha terra dá pedras

minha terra dá rosas

no meio do caminho

tem quilômetros de sede

tem pés que nascem fugindo

 

minha terra tem miramares

minha terra não tem terra

 

       tem engana-tico no fubá

 

e os cantos que em si gorjeiam

        não gorjeiam como lá

 

 

 

Luci Collin
Na
Germina
>
Contos
>
Na Berlinda (Conto)

 

 

 

 

 

 

Luís Antônio Cajazeira Ramos

 

Canção do Exílio

 

Achei, nas páginas do livro mágico
de um bruxo drávida do tempo atávico,
um pó de lágrimas de risos trágicos
que encheu de dádivas meu sonho plácido.
 
Naquele sábado, fiquei tão bêbedo
que, mesmo lívido, não li o prólogo
— não é o cúmulo? Mas bem-te-vi
no olhar do boitatá, seu pererê!
 
Percorro léguas para suar um cântaro.
De quebra, quebra e sobra um sopro sândalo,
gorjeando aqui, gorjeando lá... Em frente!
 
Quero dormir em sossegada esteira,
feita das plumas de um sabiá-palmeira,
e um pôr-de-sol sem pátria no horizonte.

 

 

 

 

 

 

Luiz Carlos Peixoto de Castro

 

Minha Terra

 

Minha terra

tem uma índia morena

toda enfeitada de penas,

que anda caçando ao luar.

 

Minha terra

tem também uma palmeira,

parece a rede maneira,

ao vento se balançar.

 

Minha terra,

que tem do céu a beleza,

que tem do mar a tristeza,

tem outra coisa também:

 

Minha terra,

na sua simplicidade,

tem a palavra saudade,

que as outras terras não têm.

 

 

 

 

 

 

Luiz de França Pereira

 

O Sabiá da Mata

 

Alada flauta de cristal das matas,

E que celebra a glória da manhã,

Quem te ouvindo as cadências e volatas,

 

Não cuida a flauta ouvir do grande Pã?

 

Queixas da selva umbrosa e das cascatas,

Saudades da caatinga e da rechã,

Dissolves em noturnos e sonatas,

Na basílica voz de Malibrã!

 

E essa voz que, de sombra a luz se veste,

Mais doce do que um verso de Virgílio,

Que põe vozes do céu na avena agreste:

 

Nem uma vez possui no mundo inteiro;

É a voz da Pátria a soluçar, no exílio,

Saudades do Nordeste Brasileiro!

 

 

 

 

 

 

 

Manoel Virgílio

 

Minha Terra

 

Minha Terra, o meu Rio,

Tem beleza e esplendor,

De manhã sempre espio,

Na colina, o Redentor.

Altaneiro o Corcovado

É o altar de Jesus Cristo.

Eu me sinto abraçado

Toda vez que o avisto,

No meu Rio de Janeiro,

Muito lindo, o ano inteiro.

 

Pão de Açúcar, lá de cima,

Uma vista que alucina.

A bela Copacabana,

De areia prateada,

Numa orla bem humana,

Por poetas, exaltada.

Vemos toda a Lagoa,

Num contorno rendilhado.

O meu canto ali ressoa

Por meus versos, assim, rimados.

 

Perdoa, Gonçalves Dias!

Também canta o sabiá,

Para nossa alegria,

Nas palmeiras que de cá.

São belezas do Brasil

Quer do Rio ou Ceará

Sob um céu que é cor de anil.

Como em nenhum lugar, há.

Exalto meu Rio co' ética

Em décimas e com métrica!

 

 

 

 

 

 

Manuel Bandeira

 

A João Guimarães Rosa

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que ainda vote em você;

Sem que, Rosa amigo, toda

Quinta-feira que Deus dê

Tome chá na Academia

Ao lado de vosmecê,

Rosa dos seus e dos outros,

Rosa da gente e do mundo,

Rosa de intensa poesia

De fino olor sem segundo;

Rosa do Rio e da Rua,

Rosa do sertão profundo!

 

 

 

 

Sextilhas Românticas

 

Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
— Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
 
Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
Decorei "Amor e medo",
"No lar", "Meus oito anos"... Viva
José Casimiro Abreu!
 
Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
Nem não posso renegar
Peri, tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro... Viva,
Viva José de Alencar!
 
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
— Pinhões para o rouxinol!
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
 
Ai tantas lembranças boas!
Massangana de Nabuco!
Muribara de meus pais!
Lagoas das Alagoas,
Rios do meu Pernambuco,
Campos de Minas Gerais!

 

 

 

Manuel Bandeira
Na Germina
>
Poemas

 

 

 

 

 

 

Marcia Miyasaki

 

Canção do Exílio in Japan

 

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá

As aves daqui não gorjeiam

Aqui tem corvo que faz cráá

 

Nossas casas tem mais flores

Nossas ruas, mais espaço

Nossos bosques tem mais vida,

Nossa vida, mais sabores.

 

Em cismar sozinha à noite

Mais prazeres encontro eu lá

Minha terra tem churrasco,

café forte e guaraná.

 

Tem coxinha e pão de queijo,

Pão francês com mortadela,

tem beijinho, brigadeiro,

Prestígio, Bis, Diamante Negro.

 

Tem laranja, tem banana,

Maracujá, cupuaçu e açaí.

tem loiras, tem morenas,

tem metrô até o Tucuruvi.

 

Em cismar sozinha à noite,

Mais stress encontro eu cá

Quero ir cantar na igreja,

E igreja aqui nem há.

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Minha terra tem Palmeiras,

Tem Corinthians, tem São Paulo,

churrasco, café forte e guaraná.

 

 

 

 

 

 

Marco di Aurélio

 

Em Minha Terra Tem de Tudo

 

Em minha terra tem de tudo…

(tudo ao seu tempo, é claro!)

O sol esperto nasce com seu halo

a lua sobe sempre de mansinho

e ao se ver um casal de passarinhos

sabe-se logo que a vida tem seu mote.

 

Viver, sobreviver pra quem é forte

lidar com a missão de ser vivente

é ter as veias latejantes

vencendo os dias mais pungentes.

 

Caber no espaço que se escolhe

vencer distâncias mais compridas

viver vivendo tantas vidas

morrer aos poucos sem ter pressa

essa é a medida que se tem

nas terras do sertão e mais além

sem pedir mais um palmo que se meça.

 

 

 

 

 

 

Marcolino Candeias

 

Aqui Não Tem Sabiá

 

 

Para a Deka, meu sabiá quotidiano,

minha cachaça e meu quindim

 

Não tem sabiá aqui nem tem palmeiras.

Aqui rapadura não tem meu bem

nem pé-de-moleque nem brigadeiro metido

em tudo quanto é sítio. E mesmo

teu pezinho de jabuticá meu bem

já virou quindim

lá bem no meiinho da chacrinha da memória.

Aqui saudade às vezes tem. Te bate negra.

Mas não dá princesa pra chamar a polícia.

Isso são uns bem caipira nem sabem o que é cachaça.

Tudo uns tatu velho que não tem mais jeito.

É quando de Chico pra Gilberto e de Elis pra Bosco tu viras sagui

e por toda a casa

Uma orgia de orixás

bota uma alegria danada que desconchava direito

esta minha sisudez de quem nasceu no mar.

Aqui meu bem não tem sabiá não.

Aqui tem só uma gracinha sorrindinho.

Tem você, né?

 

 

 

 

 

 

Marcus Vinícius

 

Minha Terra

 

Repousa os pés na estrada

a cada passada

o nosso descanso é cruzar fronteiras

 

Minha terra tem palmeiras

mas eu nunca vi

tem palmares, tem quilombos

xavante, tupi

 

Minha terra tem aldeias

mas eu nunca vi

onde o vento é quem semeia

o alimento guarani

 

Minha terra tem lugares

que eu nunca fui

densas matas, tenros vales

onde a água flui

 

Minha terra tem estradas

minha terra tem estribos

 

Sou índio da cidade

desertor de minha tribo

ser urbano jogado no mundo

ser mundano perdido na urbe

um sulamericano perdido

que não quer ser mais um no cardume

 

Sou vaga-lume, sou vaga-lume

vejam minha luz!

 

Essa terra tem mil deuses

um deles que me conduz

essa terra tem canções

essa terra tem cantigas

mas o ouro dos brasões

veio abrir nossas feridas

 

Essa terra é muito antiga

essa terra é muito antiga

 

Repousa os pés na estrada

a cada passada

o nosso descanso

embalado pelo canto

em qualquer canto

desbravando os brasis

se as veias estão abertas

seremos a cicatriz

 

 

 

 

 

 

Maria Olívia Garcia Ribeiro de Arruda

 

Paródia Ufanista

 

Minha terra tem paineiras

Onde canta um pardo rio

As vozes que aqui ecoam

Não ecoam no vazio!

 

— Minha terra teve Euclides!

 

Minha terra tem museu,

Tem a Semana Euclidiana,

Tem a casa do escritor,

O mausoléu e a cabana!

 

— Minha terra tem Euclides!

 

Tem dele a metálica ponte,

Lembrança que ao tempo resiste,

Tudo nela é euclidiano, até

O ginásio, a lanchonete e o saboroso café!

 

— Nossa terra tem Euclides!

 

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossa várzea ganhou flores,

Nossa mata é na Tubaca,

Nossa vida, toda amores!

 

— Nossa terra guarda Euclides!

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que seja por aqui,

Nesta terra de esplendores,

Lugar onde há tempos nasci!

 

Não permita Deus que eu parta

Sem ver o povo de São José

Em paz, feliz  e de mesa farta,

Pois é o que merece

Esta gente brava, de muita fé!

 

 

 

 

 

 

Mariáh Oliveira

 

Chora Sabiá

 

Minha terra tem roubalheiras

Onde chora o sabiá

As gorjetas que na prisão gorjeiam

Fazem um furor lá

 

No INSS aparecem estrelas

Na fila do SUS se morre de dores

Na madrugada, sorteio da vida,

Na prisão, mais flores

Dizem que aqui guerra não há

Ra-ta-ta-tá, sabiá,

 

Na prisão tem primores

Que tais, não encontro eu cá,

Cismo tanto, cismo à noite —

Sobre os prazeres de lá

Minha terra tem roubalheiras

Pra matar o sabiá

 

Não permita Deus que eu morra

De raiva, avistando lá,

Quem tem diploma de horrores

É mais feliz que cá

Minha terra tem roubalheiras

Choro junto com o sabiá

 

 

 

 

 

 

Mariel Reis

 

Canção do Exílio Contemporânea

 

Na Rua Gonçalves Dias, em pleno sol,

Segue grave, o homem de paletó,

Leva consigo bugigangas da China.

 

Em uma das mãos, o DVD pirata;

Na outra, a colorida sombrinha.

Está de olho no cordão de prata

 

Vendido na banca do ambulante;

Que alardeia a pureza constante

Da mercadoria apregoada. O sol

Intenso faz a roupa ficar empapada.

 

Debaixo da amendoeira da esquina

Verifica a algazarra e toda confusão,

Assalta-lhe o pensamento: "A Pátria!"

Acena ao ônibus, dói-lhe o coração.

 
 
Mariel Reis
Na Germina

 

 

 

 

 

 

 

 

Marilza de Castro

 

Minha Terra

 

Minha terra tem palmeiras,

Que outros já viram por cá...

Matas virgens, rios, beiras

Regadas a sabiá...

 

Terra em que, plantando, dá...

Minas ricas em seu solo...

Acre, Roraima, Amapá,

Amazônia traz ao colo...

 

Nosso Estado do Pará

Dá as mãos a Tocantins;

Amazonas, qual iaiá,

Tem Rondônia aos borzeguins...

 

Centro-oeste é região

Onde está a Capital:

Ela é pois o coração,

Chamado Brasil-Central!

 

Mate bom é chimarrão,

Diz o centauro dos pampas;

Terra roxa forra o chão,

Hoje de fábricas, rampas...

 

Tem favela e tem sereia,

Praias de Copacabana...

Minas Gerais... Sangue, veia

A nutrir cada campana

 

A badalar por aqui...

Em Vila Velha, Vitória,

Ilhas Rasas, Guarapari,

Capixaba só vê glória!

 

A seguir pelo nordeste,

De povo bem destemido,

O turista logo investe,

Mas fica então dividido

 

Entre os Estados que tem;

Prova de tudo um  pouco,

Se puder, vai mais além

E parte um tanto louco,

 

Querendo ser brasileiro...

Terra que tem sabiá,

Tem cuíca e tem  pandeiro,

Baião de dois, vatapá...

 

Que importa que a mula manque,

Se o que quero é rosetar?!

Que na palmeira do mangue

Sabiá não vá pousar?

 

Só me importa que o estrangeiro

Do que é nosso não se adone:

O Brasil é brasileiro,

Não queira bancar o clone!

 

Seu povo é gente pacata,

Descamisado e sem casa,

De briga não anda à cata,

Mas por ela arrasta asa,

 

Se outra terra se engraçar

A tentar fincar bandeira

Em terra firme ou no mar

Desta Nação brasileira.

 

Minha terra tem palmeira,

Cambaxirra e sabiá;

Tem sua própria bandeira.

Terra igual não tem, não há!...