menina com infravermelhos
sob o
pretexto de
transfundir
significado
de volta
ao abalo sísmico
que é cada
plano,
ajeita a
faca, amola com
a lima
escuta cada coisa
que se
pareça com promessa
entalha um
código secreto
no tronco
de que se faz
a casa na
árvore onde dormem
os mapas
os dias os segredos
os estojos
de explosivos
não sobram
os olhos grandes
para fora
das lentes binoculares
outra
coisa que se pareça com
sorte, uma
moeda de cobre ou um
calendário
de um ano passado
(e
esquecer)
para só
querer lembrar
conversa cinemática
abriram a caixa para
achar dentro os
restos
siderúrgicos de um
uivo
e esse despido de
noite
escura como o kevlar
de
um colete à prova de
balas
não traz novo nenhum:
é
só ação morta como o
cedro
da bengala de um velho,
a última vez que o
marinheiro
vê o filho pequeno na
amídala
da mulher holográfica
que acena
origami
esguia sua presença como
rocha
quieta e assemelhada num
lago
de água imóvel. Só a
casca
fina e translúcida em
reflexo
recendendo a um limpo
círculo
de vidro o porto para
que
deslizem. A lisura que
engole
os corpos ou se parte
pouco
consorte à indelicadeza
com que
chega a espessa cortina
de tempestade
desentranhado
do galho mais estranho da árvore genealógica de minha
família
quinta-feira
em chamas com as brasas e
cinzas deixando áspero o assoalho
debaixo
do atrito das botinas e das correntes
arrastando
metros à frente o rombo na cerca de arame
os três
cães decrescentes cheirando fiapos de pano
enroscados nos ganchos:
alguma pele ou pêlo
que pudessem evocar um alce ou
urso,
eram uma imagem de família, troncos serrados,
uma
outra árvore, a história que contaram mais
uma vez antes que
alguém esquecesse ou que
tivessem que anotar palavras e cenas numa
pedra
ou na madeira de um casebre infestado de
fantasmas.