
NO CÉU DE NASCIMENTO DA INFÂNCIA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE
No céu da infância possuí bolas me direcionando os caminhos, esvaziando uma vez ou outra, enchendo-se quase sempre.
Pomares de frutas diversas me encaminhavam para a prática da sobrevivência ao encher-me a pança, espigados coqueiros produzia cuia de coco para ser chutada como se fosse bola. Quenga roliça partida em duas virava caneco de coco seco de dureza apocalíptica, quando das sobras serviam para moleque andar sobre cascos, emitindo barulho de pata de animal sobre piso cimentado, depois de enfiado em buraco cordão roubado de rede que deixava de balançar pela energia diminuta de pés de preguiçoso e descuido das mães em salvaguardar os punhos pendurados nos esses baixos das paredes facilitando a pilhagem.
Carne de coco branquinha lambuzava boca, água da mesma bola verde matava a sede. Diziam os mais velhos que a água era boa não só para beber, servia como xampu. Servia não, dava cabelo endurecido, pente não penetrava, só quando forçava.
Isso sem falar nos fiapos das mangas que se metia a besta se enfiando no entre dentes, depois haja palito de pé de capim pra enfiar entre um e outro e retirar o cabelo pêlo da manga espada, manga rosa menos incômodo. Suco adocicado chupado com prazer de olhar penetrante na próxima fruta que ficava esperando no galho que o vente abatesse, enfeitava a vida de fartura nas safras das frondosas árvores aos cuidados de passarinho azulãosabiáconcliz.
Das pinhas se comia até o caroço por ser roliço pequeno e não grande nem grosso. Amadureciam por debaixo de capim amontoado para esquentar a carne e amolecer mais cedo. Fome de moleque em crescimento não esperava o tempo aberto fazê-la amolecer. Se demorasse o moleque resgatá-la do galho curvado pelo peso da boa produção, vinha esperto com mais fome ou mais esperteza e altura, roubá-la primeiro que menino arteiro.
Dos canais de irrigação que deixavam de ser lacrimais e saíam abundante despejando fertilidade em tempo de chuva relâmpago trovão, enfiava gosto pular de ponta de ponte dando cabeçada n'água como se fazia com as bolas capotão em campão de toco arrancado por enxadão. Diversão danada sair nadando ou debruçado arrastado pela correnteza do rio do peixe flutuando deitado em pau de bananeira ou em bóia de câmera de ar de caminhão, olhando o céu alumiado de calor braseiro do senhor, levado mais adiante de encontro aos braços do guarda Bico-de-Aço, que entregava moleque pros pais para correção da malinação. Chicotada de cinto no rabo ou cipó de marmeleiro visitava as costas, quando moleque não possuía ainda as pernas-pra-quem-ti-quero e corria feito potro em busca dos braços da vó.
Vixe, como era bom o meu sertão quando chovia de montão.
Vixe, como era triste o meu sertão quando fazia seca de arrastão.
Das goiabas novas no verde do cio, reclamava moleque pra mãe que não conseguia cagar, entupido pelos excesso de caroço hostil.
Das muito maduras, nem espiava por dentro moleque faminto, eram devoradas no mastigar quase não. No desarvoro bicho mole se mexendo, tapuru de fruta não via não. Horror aos bichos só delegava as vistas quando era produzido nos restos que os urubus não conseguia devorar dos animais mortos pelo estio.
Ciriguelas nem verde nem madura exprimia careta na cara dos apressados em chegar primeiro que o amadurecimento dos frutos, cajá cajarana. Juá menino não gostava de provar, não tinha muito o que mastigar da fruta desse pau sempre verde perdido no esmo da mata seca.Dele valia a casca raspada para engraxar os dentes depois de comer mais vento que coisa sólida.
Das menininhas criando penugem lá no seu bem-bom pra moleque que também recebia pêlo e crescia os peitos por hormônio masculino se formar na carne, sobrava delas a fantasia, vindo à realidade sobressair nas cabritas do Seu Adamastor que possuía um harém e alugava pros moleques pivetes malinador o orifício por parte de baixo do rabo delas.
Dependendo da conversa boa do moleque, não só cabritas/jumentas eram a saída para a efervescência do corpo, algumas que fantasiavam mais ou tinham queda pra puta, cedia à mira do seu bem me quer mal me quer e laçava o moleque com beijo ardente, carinho autêntico por amor carente, desejo latente na carne ainda crua da astúcia do uso da priquita. Tinham necessidade de alimentar não só a fantasia as meninas, também a esperança de que moleque ainda novato e filho de classe melhor amparada no colo da sociedade local e no ato do amor, a assumisse e retirasse de casa, dando agasalho comida cobertor e muitas crias para o futuro não ficar incerto e os filhos sem sangue de melhor correr pelos labirínticos das veias. Sangue azulado como a atmosfera do mesmo céu, por possuir família, cabecinhas de gado em curral apartado, alimentado por capim de capineira plantada e cultivada sobre fruidosa terra preta feito petróleo, que a fazia sonhar em mudar de rumo. Nem sempre dava certo, depois de bulida nas partes íntimas, muitas tinham única saída, servir pra chacota de muitos marmanjos a chamando de rapariga e querer currá-las em qualquer parte de si ou ir parar na famosa zona de João Terroso em Sousa.
Eh vida arteira de infância sem cálculos matemáticos, sem conjunções aditivas no comprido das falas, sem o complexo nexo dos verbos conjugados dentro da lei do seu tempo, sem a sintaxe overdose de pró-nomes feios vindos por apelidos excêntricos que cada um ganhava no linguajar de moleque imaginativo.
Era o calor do meio dia, deixando arteiro quem tinha tino pra arte, que na escala Celsius passava dos 40 graus. Era a terra aberta em erosão de aluvião vermelhão feita no massapesão da mão do agricultor carente, que rezava doidamente a fim de ver a água correr furando oco na terra fazendo erosão, carregando a cruz de cristo nas cotas, assim como o tempo abre as portas que não querem abrir, pra tu, filho do pitu que uma vez ou outra caia na rede de arrasto ou tarrafa dos pescadores do açude do DNOCS.
Tucunaré com pirão fazia dente moer cachaça em talagada comprada em meiota de cana pra quem não achava dividendos pra garrafa inteira.
Bicicleta pedalava pernas ligeiras para ir de encontro à venda, beiços desesperados perdidos nos arados dos tratores, por debaixo dos mangueirais e coqueirais, ficavam ansiosos por talagada animada.
Sanfona, pandeiro, triângulo, zabumbo botavam corpos tristes alegres nos fins de semana, esperando ter feito um bem dos diabos aos animados casais que compartilhavam vontades próprias de se casarem daqui um ano, se o inverno fosse de pouco alvorecer aurora, daqui seis meses se fosse de muito alvorecer aurora, ou quando os caroços enchessem sacos e silos prontos para esperar nova seca, ira dos demônios.
Gruta Santa de Nossa Senhora de Lourdes, recebia degraus joelhos de casal nubente crente que no sofrimento que é usar parte do corpo como acento, receberia garantia que a filharada que viria trazia na astúcia saúde e água no correr dos anos.
Mesmo com tudo isso, melhor era o que se passou em vista do que agora são essas coisas que vêm dos infernos urbanísticos.
No caudal ir e vir dos dias de hoje pela urbana citi São Paulo, as lembranças arrefeçam de dentro da gente, como ondas em caudal nos arrecifes, pelas lagrimas vir visitar quase sempre, o que só nasceu para enxergar, sem propósito em ter que divisar com as malquerenças dos sitiados cidadãos da urbe humana.