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1859 talvez eu tenha morrido há tempos e cravado fiquei nos muros de sonhos ......................................e de dor talvez também eu tenha esquecido ..........................de procurar no teu coração o sentido da frase quem sou |
eguida
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| imagem os espelhos mentem pois mostram-me inteiro pele perfeita mãos firmes e certeiras emoções dentro do peito os espelhos foram feitos para ludibriar porque na imagem contrária que nos dá se somos destros somos canhotos se nos olhamos de frente o olhar está torto o espelho lá de casa quase me mata de espanto pois concebe um homem maduro ainda jovem cabelo escuro mas como ele é enganador sei que por dentro dele no reino das suas imagens lá está meu eu verdadeiro seu senhor com olhos de brilhos quebrados pele com a secura de toques sepultados e na mão direita (ou esquerda?) um coração petrificado autêntico reflexo da dor |
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| medusa confronto com teu cabelo na noite fria longo envolvente e anelado parece que me fita me espia parece que me quer quedado para um enlaço ou coisa parecida para gerar ativo um ser que nem idéia faço como fugir dos teus tentáculos capilares se cada esquina conflui na mesma rua eu correndo em passos cavalares indo sempre me emaranhar nas mechas tuas desato em choro convulsivo e inócuo meu destino está traçado nas tuas tranças equilibro-me meio sem jeito boneco sem ventríloquo brinquedo sem criança presa fácil de reações inúteis debato-me entre palavras vazias argumentos fúteis abandono-me por fim moribundo doce entrega de mães meretrizes sabendo teu assisto o avançar milimétrico e profundo dessas tuas irrefreáveis raízes |
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| raio preparo afiro a fera saco no ato papel almaço caneta tiro estilhaço pólvora e tinta explode luz estrela rara pinto o texto em pouco espaço tempo esse deus escasso junta tua pressa num átimo de prece para ter nervos de aço precipita-se então o anjo dissimulado sobre tuas tranças destrancadas e trespassa-te com a palavra nua encubada breve puta poesia que faço |
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| taxidermista morta corto-te ao meio empalho em palha falho no recheio caricatura de Deus não trago de volta teu sorriso deformo-te o seio corpo de macabra boneca olhos de vidro ossos de pau se te fornecesse o meu coração amenizaria o meu mal? sentada patética arremedo de gente débil lampejo de bailarina em corrida entre um ato e outro a cortar o ar com o perfume da vida tuas mãos nas minhas minhas mãos não te levam ao bosque minhas mãos sozinhas em luto depositam-te num caixote camarim sepulcral de eternos fantoches |
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fecundação pendurado no teu cabelo balanço-me Tarzan em busca da tua face bebo paisagens nos teus olhos afogo-me gigante na tua boca dócil uso o ar do teu nariz para respirar onde sopro o meu cheiro certeiro para o teu pulmão colchão dos teus seios desço tua goela abaixo aveludando teu esôfago e estômago num deslizar inédito e abrupto chego eloqüente no teu ventre onde me deito e desprendo pedaços de mm a fluírem férteis e lépidos pelo pomar sadio do teu útero |
| parto coisa louca esse hálito da tua boca sopro de voz rouca estopim do meu tesão fundida a carne da língua minha e tua deságuam em saliva ativa bendita irrigação meu corpo e o teu vencendo a physis no mesmo lugar dentro um do outro produzindo suores líquido esperma odores que a cada maneira iniciam a fecundação formará um homem o teu ventre um homem se moldando dentro de ti mais inteiro e mais profundo do que eu jamais pude ir dou-te a ele toda (se acaso um dia pertenceste a mim) dei-lhe parte minha (porque ele sempre pertencerá a ti) assisto impávido cúmplice a geração pronto para aniquilar qualquer empecilho pois teu olhar tua mão tua atenção e teu coração treinaram em mim para totais receberem meu filho |
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| caseiro eu moro na curva do teu braço onde me alimento dos teus abraços e deito-me na tua mão aberta em flor eu brinco nos teus brincos de uma orelha macia até a outra e grito ao vento que cinge tua nuca eu velo o brilho do teu olhar onde leio em luz o teu amor e sorrio ao notar o meu reflexo eu percorro tua pele de pêssego da fronte aos tenros dedos dos pés mas me demoro mais no teu sexo |
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| tiro imprimo marcas e sementes na tua brancura pele alva analgésico da minha loucura certeza forte agudeza de cheiro de mulher planta carnívora flor-de-boca-de-revólver prensa cobre empunha faz revelar na fumaça fatídica do estrondo a gula do teu ventre a tua visão aquilina de aço no chão aos teus pés feito uma prece transformo-me em versos e capacho |
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| o
vestido da musa nas tuas noites de menina mulher um vulto um fantasma uma imagem vaga lépida entre xampus lingerie e talheres aguça tua curiosidade por ser assim miragem às vezes entra na tua bolsa confusa cheia de batons canetas sem tampa fotos carnês e acaricia teus dedos anéis tuas mãos difusas desaparecendo zup! no frasco de perfume francês tem a textura de nuvens algo branco impecável tem o cheiro de quarto de dormir bichos de pelúcia alguma coisa de fada bruxa do bem agradável e experimenta invisível teu corpo na luz translúcida não é um vestido que prepara uma moça para um rapaz o vestido tem que se identificar assim como um nome é uma vestimenta que se mistura com magia capaz de doar-te rainha para todos os homens qual mulher que nunca desejou namorar um poema que nunca quis abraçar um homem de forma serena sem medo do ontem ou do amanhã imprevisível no presente entregando tudo que for possível? o poeta não te quer saturada de gente ou disputar atenção com as rotinas da vida ele te transforma em versos simplesmente lambuza tua língua com o gosto da lua te chama de minha e te deixa ser atrevida bailando nas asas dos dias e na noite mansa da rua o poeta te quer parideira de todo sentimento sabe que tua beleza feminina não é um troféu o poeta se abaixa se faz teu corcel que tu cavalgas e preenches o vazio do vento este vestido por fim substitui a pele tua és musa és santa és mãe és puta és bela e teus olhos cravados no tempo essa janela direcionam as poesias e as deixam completas então te percebes totalmente nua como nuas são as paixões dos poetas |
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Carlos Edu (Carlos Eduardo Bernardes da Costa) nasceu a 22 de setembro de 1959 em Goiânia, Goiás. Cursou Ciências Contábeis na Universidade Católica de Goiás — UCG, Rádio e Televisão na Universidade Federal de Goiás — UFG, e jura que vai terminar o curso de Filosofia na UCG. Divorciado, tem dois filhos: Rodrigo e Paulo Eduardo. Hoje é Gerente Administrativo-Financeiro de uma empresa de Tecnologia Ambiental. Recebeu vários prêmios em concursos literários. Assina a coluna Beatlebox no portal brasileiro dos Beatles, e o caderno Todo Prosa na revista literária PD-Literatura, é colaborador do SpamZine e tem poemas e textos publicados em vários sites, como Blocos, Poemas Azuis, Encontro de Escritas, PD-Música, ConTexto, Gaiola Aberta, entre outros. |
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